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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Um caso de sucesso: José Duarte Albino, de 57 anos, doente com DPOC



«A doença está controlada graças ao diagnóstico precoce»
por: Sofia Filipe
A culpa foi do cansaço. Mas, neste caso, a culpa foi bem-vinda, afinal, provavelmente, seria mais um caso de incapacidade. O diagnóstico não foi tardio e ainda houve tempo para controlar a DPOC. Conheça um caso de sucesso devido à cessação tabágica e, sobretudo, ao diagnóstico precoce.
Decorria o ano de 2000 quando José Duarte Albino, de 57 anos, descobriu sofrer de uma doença crónica e progressiva – doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). O cansaço é que a denunciou...
«Estava a trabalhar no Hospital de Pulido Valente, em Lisboa, e sentia-me muito cansado. Sentia imensa dificuldade em subir as escadas e quando terminava os lances não conseguia falar logo. Reparei que era um cansaço incomum e recorri imediatamente aos médicos deste hospital», conta este delegado de informação médica, de Lisboa.

O tabagismo é a principal causa da DPOC e para José Duarte Albino foi o factor que desencadeou a doença. Começou a fumar aos 16 anos, no liceu e desde então nunca mais abandonou o vício. Ultimamente fumava entre 20 a 30 cigarros por dia.
«Tinha uma dependência física muito forte, sobretudo de manhã. Fumava em jejum e chegava a acordar a meio da noite para fumar, devido à síndrome de abstinência da nicotina», relata José Duarte, natural de Messejana, Concelho de Aljustrel, Baixo Alentejo, prosseguindo:
«Visto ter alguma tosse e expectoração de manhã, e sendo conhecedor dos sintomas da DPOC, recorri a um médico do hospital, onde me foi feito o diagnóstico da doença pelas provas funcionais respiratórias.»
A DPOC foi detectada quando efectuou as provas funcionais. Assim que teve o diagnóstico, deixou de fumar, recorrendo às consultas de desabituação tabágica.
«Estas consultas são essenciais, pois as pessoas às vezes tentam resolver os problemas sozinhas e dão-se mal, porque têm recaídas», comenta este delegado de informação médica, admitindo que de tempos a tempos, em especial quando se encontra sozinho, sente vontade de fumar.

Na altura em que soube que tinha DPOC, surgiu a hipótese de participar num ensaio clínico de um novo medicamento.
Mas, ainda demorou a começar e, como entretanto cessou os hábitos tabágicos, quando realizou os testes de avaliação para integrar no estudo, deixou de ter os parâmetros que eram exigidos. Ou seja, deu-se uma regressão da doença, sendo que a DPOC atingiu um grau menor, pelo simples facto de ter deixado de fumar.

Comparativamente a outros doentes – aqueles que necessitam de oxigenoterapia, por exemplo – José Duarte não sofreu mudanças significativas no quotidiano. E, ao contrário do que acontece com muitos destes doentes, não foi obrigado a abandonar a carreira profissional.
«A DPOC não evoluiu, o que me permite ter uma vida perfeitamente normal. Apenas não posso fazer excessos em termos de esforço. Não posso correr, mas se andar não me canso e se subir escadas devagar também não me afecta», menciona o nosso entrevistado, que está a ser medicado diariamente com um broncodilatador.
«Tenho de ter um certo cuidado com as vacinações, como por exemplo a vacina da gripe, assim como com os imunoestimulantes», acrescenta José Duarte, que é sócio número 1 da Respira – Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas, fazendo parte da direcção da mesma.
E sublinha: «A doença está controlada, graças ao diagnóstico precoce. O facto de ter deixado logo de fumar também foi essencial.»

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